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sábado, 1 de dezembro de 2012

Pedro

Sabe quando algo ou algum lugar te faz vir a tona lembranças de certos momentos ou pessoas...? Talvez o cheiro de praia, da brisa do mar, o balançar das ondas, o barulho que fazem contra o barco, o cheiro de peixe, pescar... e quem sabe lá, onde dois amigos estiveram tantas vezes, pudessem se rever. Talvez ele reaparecesse mesmo depois de tê-lo negado, talvez aparecesse novamente sobre as águas... Talvez você pudesse fazer o que não fez antes que morresse, voltar no tempo, voltar a seguí-lo, uma nova chance... pedir-lhe perdão, mesmo que não o mereça. E, então, do barco você vê, na orla, seu amigo e mestre, mostrando-lhes onde deveriam lançar a rede para conseguirem peixes e, junto à fogueira, convidando os seus para cearem juntos, e dentro de você a lembrança de tê-lo negado. Estava alí, oferecendo perdão. E naquela noite ninguém perguntou quem era, porque todos sabiam que era o Mestre. E agora sabiam porque Ele havia de morrer e que depois de alguns dias de dor, ele ressurgiu dos mortos.
Tu sabes te todas as coisas, Senhor. Tu sabes do meu amor por Ti.

João 21

sábado, 27 de outubro de 2012


Sabe quando ás vezes estamos distraídos ou pensando um pouco na vida e ficamos a rabiscar qualquer coisa, uns desenhos num livro, umas palavras num caderno, ou simplesmente alguns riscos na areia? (...)
Uma mulher quando por amor, ou prazer, momentâneo, passageiro se viu acusada e humilhada por pessoas que se cometiam erros assim como ela. Mas quem somos nós para merecermos defesa? E então, de repente, ela encontra-se diante do verdadeiro amor e da verdadeira justiça, que não a condenou, mas a livrou da morte. E mesmo quando conseguimos ficar mais sujos do que já somos e estamos diante dele, percebemos tamanha misericórdia. O mesmo que nos constrangeu com tanto amor naquela cruz, mesmo não merecendo; o justo pelo injusto, o santo pelo pecador, que livrou-nos da morte e nos fez renascer. E, naquele dia, nenhuma pedra foi lançada.
Quem diria que um risco na areia seria o início de uma nova história de amor...

João 8

domingo, 7 de agosto de 2011

Dicionário em branco

    As palavras perderam o seu poder, sua força, seu peso. É preciso observar atentamente, meus caros, para conseguir notar. Confesso que custei-me em perceber. No entanto, como já era do meu feitio observar coisas pequenas, destas que pouco importa para alguém, notei que não necessariamente perderam seu real sentindo, mas passaram o mesmo para outras palavras, frases ou período.
    Curioso é que quanto menos valor, mais noto tais expressões em uso. Ainda mais intrigante é que, em sua essência, elas possuem sim muita força, muito poder. Então, permiti-me um experimento. Tornei em silêncio esses sons tão usados, tão sem sabor; e mais, transformei em gestos, em olhares gritantes. A ausência de permitiu-me conhecer parte do seu brilho.
    Não obstante, atentei-me dos mais queridos, para eles pouco importava os significados das letras aos outros, bastava o vazio, o silêncio a dois; falar com os olhos... e aquela ânsia por ouvir, aquela dor por esperar. Seus momentos, por si só, já eram poesia.

Pronome pessoal do caso reto da primeira pessoa do singular + pronome pessoal do caso oblíquo átono da segunda pessoa do singular + conjugação do verbo amar na primeira pessoa do singular no presente do indicativo.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Mente-indo-me

Minha mente insiste em guardar lembranças, diálogos, sorrisos, confissões, discussões, abraços e olhares que nunca aconteceram. E - com quase certeza - nem vão.