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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Aleatório

Esquecera-se dos seus próprios conselhos. Ficaram em branco as folhas em que escrevera suas próprias palavras. Não encontrou as coisas que cultivou. As raízes foram arrancadas. Nada era recíproco. Nada.

Mas agora, depois de tanta melancolia, o choro se fez riso. E riso bobo, só por se lembrar. Lançam-se novas sementes. A folhas podem começar a serem reutilizadas. Nunca soubera onde levaria suas decisões friamente calculadas. Vivera sempre como joga um jogo de xadrez: prevendo cada movimento, tudo sob controle, sacrificando e salvando algumas peças...

Deixara pra trás suas estratégias de coisas incalculáveis e imprevisíveis; sonhava, apenas. De fechar os olhos e respirar fundo. Do resto, fazia questão de deixar tudo em ordem, mesmo quando nada estava. E do que podia, fazia questão de cuidar pra que fosse como tanto desejava. Para fazer sorrir. Pra mudar.

Várias páginas já haviam sido reescritas. E mesmo que não acreditasse nessas coisas, fez aqueles pedidos, de olhos fechados, sorrindo... boa parte deles já haviam sido realizados.

Pode ser somente um história, ou várias. Minha, sua ou dele. Ou as nossas, misturadas.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Reiteração

Não, eu não deveria estar escrevendo, não a essa hora da madrugada, mas essa dor não me deixa escolha. Eu não poderia estar me importando tanto. Eu também não deveria olhar todos os contatos da minha agenda esperando encontrar algum pra quem eu possa ligar a essa hora. Eu também não deveria imaginar os sorrisos, os abraços, as conversas. Eu não deveria criar momentos em mim mesma, nem questionar ausência. Eu não poderia estar querendo abraços de pessoas que sequer lembram-se de mim. Eu não poderia me arrepender do que tinha certeza. Não deveria desprezar o abraço dos que realmente estão aqui, dos que viriam correndo caso eu precisasse. Eu deveria saber encontrá-los. Eu não deveria estar chorando. Eu não poderia ter tantas incertezas. Não deveria me sentir tão só.
Mas essa dor não me deixa dormir.
Mas essa incerteza não me deixa em paz.

Eu não deveria escrever na primeira pessoa.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

E como eu não lembraria? Como esquecer dessas coisas, mesmo das que não quero lembrar? Mesmo que os mundos tenham parado de se cruzar... E como decidir-se sem antes pensar e relembrar de tudo?  Antes fosse simples... Irônico e triste. Mudamos tanto que, quando nos encontrarmos e conversarmos, corremos o risco de não nos conhecermos mais e aí teríamos de nos (re)conhecermos novamente, e talvez encontremos um alguém com quem não nos identificamos mais.
Eu nem estava percebendo o quanto eu precisava falar sobre aquilo até começar essa conversa com você.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Eu que agradeço!

Mais um feliz acaso - mesmo achando que não seria isso que ele diria. São essas noites assim, de bobagens e nada pré-calculado que me arrancam sorrisos e lembranças, gosto delas. Fico inteiramente grata por minha mente saber separar muito bem os bons e maus momentos, e guardá-los bem distantes, um mais acessível e outro difícil de se achar. Pois bem, era ótimo ficar só com os bons.
Não era coração acelerado, nervosismo, mãos suadas. Era simplesmente saudade. Saudade das palavras, do modo como sou cativada sem perceber, das entrelinhas. Do sorriso. Do simples fato de poder contar. Mesmo que seja um aroma nostálgico, me faz bem, não confundo.
Parecia que o tempo havia mudado tudo e, ao mesmo tempo, deixado tudo o que deveria ter existido. Não sei porque agora, não sei por quanto tempo. Mas só de ter aquela certeza, mesmo que por pouco tempo, de que se pode contar com alguém, independente de qualquer outro acontecimento, é confortante. Eu gosto como o mundo dá voltas, principalmente quando coisas assim acontecem.
Não é reviver. É re-conhecer.
"Eu agradeço por ter conhecido pessoas como você."
"Obrigada pelos sorrisos arrancados."

quinta-feira, 12 de abril de 2012

"Não seria melhor descrever o tigre?"
"Muito na dele. Excêntrico. É meio esquisito, mas é bom companheiro."




Bill Watterson 

sábado, 23 de julho de 2011

Do que eu nunca esqueci

Afeto é mesmo algo estranho. Venho tardiamente falar-lhes, mas não demais. Sempre tem daqueles preciosos que deixam uma marquinha em seu coração, e que, de vez em quando, ou notá-la, você recorda. Recorda de todos os sorrisos, das palavras, dos mimos, das músicas tocadas, dos abraços demorados. Não me estranhe, sei que é tarde, contudo, há sempre um tempo em que nos vemos distantes demais da linha do tempo em que podíamos fazer algo em relação a isso. E o que nos resta? Só o querer. De estar perto, de novos conselhos, de muitas lágrimas até. De tudo de bom. E que, se ainda couber, que esse tão amado volte a visitar sua vida. A falta fica, junto com a vontade de recuperar o tempo perdido.
Perdoe-me as poucas palavras, é que as outras já silenciadas não caberiam aqui.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

De novo.

Às vezes o que eu menos espero que aconteça, acaba vindo à tona, sem se importar se me é bom ou não. Dessa vez foi mais rápido, diferente e inesperado do que qualquer outra. Era algo que me fazia tão bem... e, como numa  explosão, fica tudo escuro, bagunçado e confuso, destroços por toda parte. Acho que a bomba sou eu.
Estar longe agora não me ajudou muito; não em relação a isso. As coisas ainda não foram reconstruídas. Ainda está confuso. A indiferença me cegou, cortou-me e tirou toda minha força. Sou capaz de pedir perdão por algo que não sei se fiz. Mas estar aqui e agora me fez perceber que a falta que faz a mim é maior do que eu já imaginava. Por que as músicas do meu celular me trazem suas lembranças? Por que meus dedos acariciam as teclas a sua procura? Será que sinto a mesma coisa que começou com tudo isso?
Me desfaço de toda distração e volto ao que realmente me trouxe aqui: a companhia daqueles que nunca me abandonaram, me façam rir ou derramar lágrimas. Restabelecer a conexão com o meu Senhor é o mais importante, e que Ele comece a minha metamorfose! Talvez eu possa voar... ou nadar.

Nota: mensagens me alegram muito, ainda mais quando vem com um sorriso em anexo.
Nota2: poingpong não é comigo 

sábado, 18 de dezembro de 2010

Oblíqua e dissimulada.

        Era ela; e estava de volta! Mais atenta e curiosa do que qualquer outra que já vi. Seus cabelos ondulados desgrenadamente presos, quase completamente soltos, pareciam uma moldura para o rosto. Eu gostava de como ela me insistia dizer, por pura curiosidade, uma bobagem qualquer que eu omitia. E eu omitia exatamente porque gostava.
        - Anda, seu bobo! Não tem graça. Você prometeu que me diria, então pode ir falando - ela me implorou. Começou risonha; brincando. Mas terminou a frase querendo parecer brava comigo; não conseguiu exatamente, o que me fez rir. Carregava consigo o fardo de mulher formada, mas tinha o lado doce de criança.
        - Um dia você vai saber. - disse tentando fazer com que ela continuasse com aquela cara de curiosa. Não consegui. Fez menção de que ia me dar uma bronca ao colocar as mão na cintura e bater o pé, mas não o fez.
        Continuamos no nosso caminho. Sua voz, mesmo mudando frequentemente de tom, me alarmava; era uma bela melodia, mesmo com a sua insistência dizendo-me que é "tenebrosa". Entre um ou outro que aparecia para lhe cumprimentar, ela tinha uma feição diferente. Era estranho... ao mesmo tempo que seus olhos conseguiam perceber pequenos detalhes - mesmo com sua miopia - também ficavam dispersos, vagos, olhando para o nada, como se estivesse longe.
        - E então, mais um feliz acaso, não é? - perguntei pra ela, tentando tirá-la do transe. Sempre funcionava.
        - Ah, claro. O acaso é meio bipolar conosco, não é? Às vezes nosso amigo, às vezes faz o máximo pra não nos encontrarmos. - falou como se estivesse com a cabeça na terra o tempo todo, como se não tivesse ido para tão distante dentro da sua mente. Ela se dava bem com as palavras, era boa em argumentos. Tinha um ar de inteligência humilde. Falou sorrindo, quase saltitante. Mas era a pior hora...
        Quando veio abraçar-me, foi quando percebi seus olhos. Percebi novamente, como da primeira vez. Aqueles olhos de cores estranhas. Inquietos e fundos. Olhos de ressaca...
        - Querida Capitu. - disse-lhe enfim. Sabia o quanto ela amava esse apelido. Ele por si só conseguia lhe descrever boa parte.

Nota: esse diálogo não foi retirado do livro Dom Casmurro, é um resumo de diálogos reais e também a união de vários acontecimentos, coisas subentendidas. A Capitu dele só é "baseada" na do livro e ela tem esse apelido.
Diálogo de minha autoria com algumas ajudas especiais.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Dois eus sós num só.

Ela: quer me aturar um pouco?
Ele: estou disposto.
Ela: e aí, tudo bem?
Ele: tudo. Está triste?
Ela: só um pouco depressiva por estar carente nesse clima perfeito com músicas lindas tocando e vendo casais felizes - disse, mesmo sem ele podendo ver, com um riso tristonho.
Ele: acho que é mais ou menos como me sinto quando vejo minha amada. Às vezes não consigo reagir.
Ela: E eu queria ter alguém pra amar. Você já tem essa sorte e ainda mais por vê-la.
Ele: mas não é recíproco. (...) É verdade, só o fato de estar apaixonado já é melhor.
Ela: o problema é que eu já me acostumei com isso. Eu tenho necessidade de me sentir amada. De sentir carinhos e poder retribuir.
Ele: sou assim também. Hipercarente e carinhoso.
Ela: e essa é a época do ano mais aconchegante para isso. Mas meu problema é esperar um principe num cavalo branco (ou num uno azul, quem sabe)
Ele: bem, porque não pega o seu cross fox e vai buscar o seu plebeu, princesa?
Ela: o império foi derrubado, a cavalaria foi derrotada, o trono foi tomado. E a princesa virou uma simples camponesa.
Ele: melhor assim, agora vai saber quem são os moços camponeses de puro coração que vivem perto de você. Ou até mesmo de outro Reino.
Ela: meu reino foi visitado por vários outros e cada um destruiu parte do meu. Aprendi a ficar receosa com cada um que se aproxima demais. E os camponeses que passaram, se tornaram rebeldes, queriam descobrir o resto do mundo e não ficar num só reino.
Ele: há de aparecer um, que tenha o dom de reconstruir corações partidos e refazer laços e confiança, se dedicarão somente a essa tal camponesa de bela voz e olhos de ressaca.
Ela: eu digo o mesmo a você. Você é doce e merece uma princesa liberal. Enquanto isso, vou tentar acalmar meus ânimos. Sabe, é difícil sem ter um abraço e um sorriso só pra você.
Ele: estarei sempre aqui, não sou de largar as pessoas, sabe?
Ela: poxa, obrigada mesmo. Eu sei o quanto garota carente é chata.
Ele: não acho, me identifico, é bom saber que não estou sozinho.

Legenda    
Ela: observadora
Ele: mochileiro

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Casualmente.




Ele: Olá de novo! Há quanto tempo, não?
Ela: Oi! Que inesperado!
Ele: Com certeza. Eu sei que conversas padrões são chatas mas... como anda a vida?
Ela: Vai bem.
Ele: Tem certeza? Onde está aquele brilho no olhar, que eu conheço e gosto tanto?
Ela: Como assim? Como você percebeu isso?
Ele: Não é a unica que para pra observar as pessoas, amiguinha.
Ela: (risos) Vai saber! Você sempre teve essas coisas mesmo, de me entender.
Ele: Então eu estava certo afinal, tem alguma coisa.
Ela: Argh, essa profissão é minha!
Ele: Desculpa, no meu caminho aprendo várias coisas.
Ela: Enfim, não é uma coisa que eu costumo dizer pra todo mundo, sabe?
Ele: Eu não sou todo mundo, sou seu amigo.
Ela: (risos) É... talvez, mas nós não nos conhecemos há muito tempo, pode deixar para outra hora?
Ele: Ah! Tá. Nós nunca nos vemos, como irá me encontrar para me contar?
Ela: Não tenho como te encontrar, o tempo te levará até mim.. mas lembre que é a VOCÊ!
Ele: (risos) Como queira, sou eu que quero que isso continue para sempre.
Ela: Mas... porque você, que viaja esse mundo todo, quer que esses laços sejam consolidados?
Ele: Ora, não valeria a pena eu viajar esse mundo todo e não levar comigo uma parte do coração das pessoas que eu conheço, da mesma forma não serviria de nada eu levar isso comigo, se eu não deixasse uma parte do meu coração.
Ela: É uma troca interessante.
Ele: Não sei se esse é o termo certo, mas é sim.
Ela: Ok, então. Nos veremos na próxima.
Ele: (risos) Palavras bonitas não fazem você mudar de ideia, não é mesmo?
Ela: Não mudam o rumo das minhas decisões no presente, mas provavelmente alteram as minhas decisões futuro.
Ele: (risos) Certo... Nos vemos por ai.

Legenda
Ele: O Viajante.
Ela: A Observadora.


Texto-diálogo tirado do Traveling Around, do meu amigo Renê Airton.
Obrigada por ter me animado com ele! Foi uma bela, hm, homenagem (?).
Personagens um tanto quanto descritivos, não acham?