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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

"Eu gosto de olhos que sorriem, de gestos que se desculpam, de toques que sabem conversar e de silêncios que se declaram
Machado de Assis 

domingo, 8 de abril de 2012

Insípido

Incrivelmente cômico - para não dizer irônico - como essas coisas me ocorrem. Tenho em minhas mãos o mesmo bloco velho e desbotado em que registrei as primícias dos meus sentimentos relacionados ao que me fez vir aqui, folhas depois, expôr-me, transcrever-me, novamente.
Lindo como era concreto, poético, certo... Estranho como agora é triste e irresoluto. É espinhoso suportar até os meus próprios pensamentos. Vejo-me abstrata, escorregadia; os poucos que me fitam, franzem a testa sem compreender o que me ocorre, outros só correm os olhos. Tampouco importa-me isto. Importa-me permanecer assim, inerte. Importa-me não encontrar palavras nesse dicionário em branco.
Preocupa-me, ainda mais, por não afetar-me somente. Sendo só eu, somente só, choraria feliz. Mas não... Por que tenho de carregar outros na dor que me pertence? Ingrata que sou!
Detenho-me. Pouparei os dedos, o lápis, a folha. Espero que a próxima venha com sorrisos. Aproveitarei a vista.

domingo, 7 de agosto de 2011

Dicionário em branco

    As palavras perderam o seu poder, sua força, seu peso. É preciso observar atentamente, meus caros, para conseguir notar. Confesso que custei-me em perceber. No entanto, como já era do meu feitio observar coisas pequenas, destas que pouco importa para alguém, notei que não necessariamente perderam seu real sentindo, mas passaram o mesmo para outras palavras, frases ou período.
    Curioso é que quanto menos valor, mais noto tais expressões em uso. Ainda mais intrigante é que, em sua essência, elas possuem sim muita força, muito poder. Então, permiti-me um experimento. Tornei em silêncio esses sons tão usados, tão sem sabor; e mais, transformei em gestos, em olhares gritantes. A ausência de permitiu-me conhecer parte do seu brilho.
    Não obstante, atentei-me dos mais queridos, para eles pouco importava os significados das letras aos outros, bastava o vazio, o silêncio a dois; falar com os olhos... e aquela ânsia por ouvir, aquela dor por esperar. Seus momentos, por si só, já eram poesia.

Pronome pessoal do caso reto da primeira pessoa do singular + pronome pessoal do caso oblíquo átono da segunda pessoa do singular + conjugação do verbo amar na primeira pessoa do singular no presente do indicativo.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Expressionismo

Querida máquina, cá estou eu tentando imaginar o que lhe escrever. Não tenho muito pra contar... ou talvez tenha. Mas não acho que seja de muita relevância. Eu tenho tanto a transcrever, tantos sentimentos para mostrar. Nada que deva ser exatamente escrito, e sim transparecido.

Paro. Deleito-me em lembranças... e, depois, sonhos. Volto-me para si (ou pra mim), suspiro e encaro o rotineiro, esperançosa. Por que se eu espero, espero no Senhor.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Mente-indo-me

Minha mente insiste em guardar lembranças, diálogos, sorrisos, confissões, discussões, abraços e olhares que nunca aconteceram. E - com quase certeza - nem vão.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010




Ando desistindo, ando me desmanchando, ando sentindo falta, ando sendo esquecida, ando lembrando, ando chorando; ando, paro, penso, descanso.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Aparentemente, eu.

Eu, aparentemente, não acordara num bom dia. Acho que as últimas coisas que me ocorreram trouxeram consigo essa consequência. A vontade de me levantar não me vem, continuo fitando o teto... de vez em quando mudo o foco: pra um feixe de luz pulando timidamente de uma brecha da janela fechada; ou pro meu violão, penosamente encostado na parede pedindo para me levantar e me animar. Continuo inerte, não por preguiça nem outra coisa do gênero. Uma angustia me enchia; meu corpo pedia pra continuar agasalhado, e no quase-escuro do meu quarto.
Por fim, tentei ser mais forte e me levantei e quase me arrependi na mesma hora. Pisei num dos meus livros jogados no chão e comecei a decifrar, ainda com minha vista turva, a bagunça do meu quarto. Acho que Clarice (Lispector) me entenderia. Quando sua mente está numa bagunça, parece que suas coisas refletem isso. Consegui empurrar o máximo de coisa que vi com o pé, até chegar em frente ao meu espelho retangular e fino, que ia do chão ao teto, e sentar de frente a ele. Minhas típicas olheiras pareciam estar bem maiores, meu cabelo mais desgrenhado do que de costume, minha coluna insistia em não querer se erguer, implorando o apoio dos meus braços. Meu violão não me respondia. Não conseguia produzir nele nenhum acorde senão triste. Meus olhos pareciam cinzas.
Toda essa sobrecarga de sentimentos, emoções, momentos e lembranças haviam me consumido um pouco. Até meus pequenos felinos amados apareceram com suas carícias inegáveis tentando me animar e me propor um pouco de disposição: é hora de reorganizar! Molhar o rosto, prender os meus fios um tanto quanto ondulados e cheios que quase não consigo comporta numa só mão, vestir uma roupa confortável; pôr os livros na estante, os rascunhos na gaveta, as roupas sujas na água com sabão. E, por fim, deitar-me; vislumbrar a ordem (material) era agradável até eu começar a soprar minha gaita desafinadamente tentando colocar cada lembrança, sentimento e outras coisas em seus devidos lugares. Depois de um tempo o coração se adapta.
E, quem sabe, enfim, um telefonema seguido de uma companhia acrescentando-lhe sorrisos e abraços. E, por fim, descanso e um colo confortador.

Qualquer de vocês que souberem um link que eu possa ler "Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres" de Clarice Lispector; ou que possa me emprestar o livro; ou algo do tipo, favor, avise-me. Ele parece estar me descrevendo, com o pouco que tive contato.


Tem um novo post programado pra quinta-feira pela manhã. Visitem!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Incógnita.

Lá estava ela sentada, sentindo o vento bater em seu rosto, e ouvindo ele fazer sua coreografia com as folhas das árvores. Aquilo lhe parecia remédio para a alma. Carinho, música. Um céu azul pra se deliciar...
Na sua frente: folhas em branco e lápis. Sempre sentia necessidade de se traduzir e de se expressar. Talvez por isso se sentia assim, tão...
Mas olhando-a bem, aqueles seus grandes olhos expressivos dizem pra qualquer um que realmente lhe preste a devida atenção que o que ela precisa mesmo é de traduzir pessoas, precisa que se expressem pra ela. Na verdade, ela sempre tivera esse dom, bastava olhar e o entenderia. Agora que ela mais precisa, isso falha.
Trancrevê-la era fácil, só em ver o brilho dos seus olhos quando via as visitas de pássaros e borboletas, poderia se supor que o que precisava era uma alma que lhe trouxesse alegria, companhia, um colo que lhe desse consolo e proteção. Mas não era isso que ela queria por no papel, ela queria por ali os sentimentos das pessoas difíceis de ser legendadas. Só precisava de palavras, respostas, e de certezas.

Intertextualizando "Dois" - Tiê: "E mesmo assim, queria te perguntar, te contar... tem espaço de sobra no teu coração? No meu tem."