Mostrando postagens com marcador mudanças. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mudanças. Mostrar todas as postagens

domingo, 4 de novembro de 2012

Velhos de apenas vinte e seis

Costumava gostar de sentar e observar as pessoas que passavam. Gostava de observar a conversa dos seus. Admirar os sorrisos. Estudar suas expressões. Ficava calada, mas gostava daquela bagunça. Da música ao fundo, dos garotos discutindo regras de um jogo qualquer. Das meninas rindo alto de alguma piada sem graça.
Mas, agora, lá, sentada sozinha.
Sentia-se incomodada. Esforçava-se para ficar. Desgastava-se tentando sorrir. E, quando desconcentrava, lá estava, cabisbaixa de novo. Não gostava daquela bagunça. As pessoas sequer lhe dirigiam uma palavra. Detestava aqueles risos altos para chamar atenção de quem passasse por perto.
Envelhecera depressa.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

E como eu não lembraria? Como esquecer dessas coisas, mesmo das que não quero lembrar? Mesmo que os mundos tenham parado de se cruzar... E como decidir-se sem antes pensar e relembrar de tudo?  Antes fosse simples... Irônico e triste. Mudamos tanto que, quando nos encontrarmos e conversarmos, corremos o risco de não nos conhecermos mais e aí teríamos de nos (re)conhecermos novamente, e talvez encontremos um alguém com quem não nos identificamos mais.
Eu nem estava percebendo o quanto eu precisava falar sobre aquilo até começar essa conversa com você.

domingo, 8 de abril de 2012

Insípido

Incrivelmente cômico - para não dizer irônico - como essas coisas me ocorrem. Tenho em minhas mãos o mesmo bloco velho e desbotado em que registrei as primícias dos meus sentimentos relacionados ao que me fez vir aqui, folhas depois, expôr-me, transcrever-me, novamente.
Lindo como era concreto, poético, certo... Estranho como agora é triste e irresoluto. É espinhoso suportar até os meus próprios pensamentos. Vejo-me abstrata, escorregadia; os poucos que me fitam, franzem a testa sem compreender o que me ocorre, outros só correm os olhos. Tampouco importa-me isto. Importa-me permanecer assim, inerte. Importa-me não encontrar palavras nesse dicionário em branco.
Preocupa-me, ainda mais, por não afetar-me somente. Sendo só eu, somente só, choraria feliz. Mas não... Por que tenho de carregar outros na dor que me pertence? Ingrata que sou!
Detenho-me. Pouparei os dedos, o lápis, a folha. Espero que a próxima venha com sorrisos. Aproveitarei a vista.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Aparentemente, eu.

Eu, aparentemente, não acordara num bom dia. Acho que as últimas coisas que me ocorreram trouxeram consigo essa consequência. A vontade de me levantar não me vem, continuo fitando o teto... de vez em quando mudo o foco: pra um feixe de luz pulando timidamente de uma brecha da janela fechada; ou pro meu violão, penosamente encostado na parede pedindo para me levantar e me animar. Continuo inerte, não por preguiça nem outra coisa do gênero. Uma angustia me enchia; meu corpo pedia pra continuar agasalhado, e no quase-escuro do meu quarto.
Por fim, tentei ser mais forte e me levantei e quase me arrependi na mesma hora. Pisei num dos meus livros jogados no chão e comecei a decifrar, ainda com minha vista turva, a bagunça do meu quarto. Acho que Clarice (Lispector) me entenderia. Quando sua mente está numa bagunça, parece que suas coisas refletem isso. Consegui empurrar o máximo de coisa que vi com o pé, até chegar em frente ao meu espelho retangular e fino, que ia do chão ao teto, e sentar de frente a ele. Minhas típicas olheiras pareciam estar bem maiores, meu cabelo mais desgrenhado do que de costume, minha coluna insistia em não querer se erguer, implorando o apoio dos meus braços. Meu violão não me respondia. Não conseguia produzir nele nenhum acorde senão triste. Meus olhos pareciam cinzas.
Toda essa sobrecarga de sentimentos, emoções, momentos e lembranças haviam me consumido um pouco. Até meus pequenos felinos amados apareceram com suas carícias inegáveis tentando me animar e me propor um pouco de disposição: é hora de reorganizar! Molhar o rosto, prender os meus fios um tanto quanto ondulados e cheios que quase não consigo comporta numa só mão, vestir uma roupa confortável; pôr os livros na estante, os rascunhos na gaveta, as roupas sujas na água com sabão. E, por fim, deitar-me; vislumbrar a ordem (material) era agradável até eu começar a soprar minha gaita desafinadamente tentando colocar cada lembrança, sentimento e outras coisas em seus devidos lugares. Depois de um tempo o coração se adapta.
E, quem sabe, enfim, um telefonema seguido de uma companhia acrescentando-lhe sorrisos e abraços. E, por fim, descanso e um colo confortador.

Qualquer de vocês que souberem um link que eu possa ler "Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres" de Clarice Lispector; ou que possa me emprestar o livro; ou algo do tipo, favor, avise-me. Ele parece estar me descrevendo, com o pouco que tive contato.


Tem um novo post programado pra quinta-feira pela manhã. Visitem!