segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Aparentemente, eu.

Eu, aparentemente, não acordara num bom dia. Acho que as últimas coisas que me ocorreram trouxeram consigo essa consequência. A vontade de me levantar não me vem, continuo fitando o teto... de vez em quando mudo o foco: pra um feixe de luz pulando timidamente de uma brecha da janela fechada; ou pro meu violão, penosamente encostado na parede pedindo para me levantar e me animar. Continuo inerte, não por preguiça nem outra coisa do gênero. Uma angustia me enchia; meu corpo pedia pra continuar agasalhado, e no quase-escuro do meu quarto.
Por fim, tentei ser mais forte e me levantei e quase me arrependi na mesma hora. Pisei num dos meus livros jogados no chão e comecei a decifrar, ainda com minha vista turva, a bagunça do meu quarto. Acho que Clarice (Lispector) me entenderia. Quando sua mente está numa bagunça, parece que suas coisas refletem isso. Consegui empurrar o máximo de coisa que vi com o pé, até chegar em frente ao meu espelho retangular e fino, que ia do chão ao teto, e sentar de frente a ele. Minhas típicas olheiras pareciam estar bem maiores, meu cabelo mais desgrenhado do que de costume, minha coluna insistia em não querer se erguer, implorando o apoio dos meus braços. Meu violão não me respondia. Não conseguia produzir nele nenhum acorde senão triste. Meus olhos pareciam cinzas.
Toda essa sobrecarga de sentimentos, emoções, momentos e lembranças haviam me consumido um pouco. Até meus pequenos felinos amados apareceram com suas carícias inegáveis tentando me animar e me propor um pouco de disposição: é hora de reorganizar! Molhar o rosto, prender os meus fios um tanto quanto ondulados e cheios que quase não consigo comporta numa só mão, vestir uma roupa confortável; pôr os livros na estante, os rascunhos na gaveta, as roupas sujas na água com sabão. E, por fim, deitar-me; vislumbrar a ordem (material) era agradável até eu começar a soprar minha gaita desafinadamente tentando colocar cada lembrança, sentimento e outras coisas em seus devidos lugares. Depois de um tempo o coração se adapta.
E, quem sabe, enfim, um telefonema seguido de uma companhia acrescentando-lhe sorrisos e abraços. E, por fim, descanso e um colo confortador.

Qualquer de vocês que souberem um link que eu possa ler "Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres" de Clarice Lispector; ou que possa me emprestar o livro; ou algo do tipo, favor, avise-me. Ele parece estar me descrevendo, com o pouco que tive contato.


Tem um novo post programado pra quinta-feira pela manhã. Visitem!

4 comentários:

André S. Lima disse...

"Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres" tava tentando lembrar o nome desse livro, antes de ler o rodapé. O texto me lembrou uma passagem desse livro, lindo livro, lindo texto. Tão real e próximo da gente, vivo essa odisséia quase todo dia antes de me levantar, rs.

H. Steiner' disse...

Hm, post muito bom.
Sabe que, quando isso acontece comigo, a tristeza começa a bater a porta? é bom não deixar isso continuar.

H. Steiner' disse...

Hm, obrigada *-*
Ahh mas é muito bom o blog dela :D

:**

Eu, ΞĐU disse...

Oi, Stéphane...
Muuito bom o seu blog, suas idéias e seu bom gosto. Parabéns pelo trabalho.
Estou te seguindo.
Beijos no coração,
EDU (http://edurjedu.blogspot.com)