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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Eu que agradeço!

Mais um feliz acaso - mesmo achando que não seria isso que ele diria. São essas noites assim, de bobagens e nada pré-calculado que me arrancam sorrisos e lembranças, gosto delas. Fico inteiramente grata por minha mente saber separar muito bem os bons e maus momentos, e guardá-los bem distantes, um mais acessível e outro difícil de se achar. Pois bem, era ótimo ficar só com os bons.
Não era coração acelerado, nervosismo, mãos suadas. Era simplesmente saudade. Saudade das palavras, do modo como sou cativada sem perceber, das entrelinhas. Do sorriso. Do simples fato de poder contar. Mesmo que seja um aroma nostálgico, me faz bem, não confundo.
Parecia que o tempo havia mudado tudo e, ao mesmo tempo, deixado tudo o que deveria ter existido. Não sei porque agora, não sei por quanto tempo. Mas só de ter aquela certeza, mesmo que por pouco tempo, de que se pode contar com alguém, independente de qualquer outro acontecimento, é confortante. Eu gosto como o mundo dá voltas, principalmente quando coisas assim acontecem.
Não é reviver. É re-conhecer.
"Eu agradeço por ter conhecido pessoas como você."
"Obrigada pelos sorrisos arrancados."

domingo, 8 de abril de 2012

Insípido

Incrivelmente cômico - para não dizer irônico - como essas coisas me ocorrem. Tenho em minhas mãos o mesmo bloco velho e desbotado em que registrei as primícias dos meus sentimentos relacionados ao que me fez vir aqui, folhas depois, expôr-me, transcrever-me, novamente.
Lindo como era concreto, poético, certo... Estranho como agora é triste e irresoluto. É espinhoso suportar até os meus próprios pensamentos. Vejo-me abstrata, escorregadia; os poucos que me fitam, franzem a testa sem compreender o que me ocorre, outros só correm os olhos. Tampouco importa-me isto. Importa-me permanecer assim, inerte. Importa-me não encontrar palavras nesse dicionário em branco.
Preocupa-me, ainda mais, por não afetar-me somente. Sendo só eu, somente só, choraria feliz. Mas não... Por que tenho de carregar outros na dor que me pertence? Ingrata que sou!
Detenho-me. Pouparei os dedos, o lápis, a folha. Espero que a próxima venha com sorrisos. Aproveitarei a vista.

domingo, 9 de outubro de 2011

Precisa-se de faxina


   Gostaria de saber o que estou fazendo. Gostaria que minha luz estivesse mais forte, mas parece que quanto mais eu tento proteger a chama, ou riscar novos fósforos, mais ela enfraquece, como se eu a soprasse. Acho que preciso de energia renovável e sustentável. Não que eu não saiba onde é a fonte, eu preciso buscá-la e enchergar meu caminho, não mais tropeçar.
   Meu coração anda tão bagunçado quanto meu quarto. Ou pior, como meu guarda-roupa. Parece que, supostamente, eu tenho tanta coisa para fazer, ou  pra ocupar minha mente que simplesmente jogo minhas coisas por lá - no meu no meu quarto ou no meu coração - e deixo tudo como está: na maior desordem. E quando, finalmente, eu tenho um tempo para respirar, não posso; minha cama está cheia demais pra ter um lugar pra eu me deitar e meu coração está angustiado demais pra conseguir relaxar. Parece que meu dilema é sempre colocar as coisas em ordem. Tapada que sou penso que sempre posso arrumar só.
   Me sentir só é um dos meus piores defeitos. Quanto mais tento encontrar uma zona de conforto, mais me sinto excluída; quanto mais tento compartilhar, mais medo tenho de derramar lágrimas; quanto mais tento me aproximar, mais medo tenho de que me conheçam. Uns me decepcionam, outros me irritam, outros viram as costas, e eu, humana que sou, faço tudo isso com todos eles. Eu, humana que sou, faço tudo isso com todos eles e só vejo o meu lado.
   Eu, ingrata, mal-aventurada, solitária, pecadora, preocupada somente com minha própria vida, esqueço o que realmente devo fazer e a quem realmente devo buscar. Espero que isso sirva de lembrete pra mim.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Meu primeiro haicai

Crio expectativas. Sem querer, sonho.
E se amanhã nada disso for, tentarei
esquecer, sobreviver.

Nota da autora: espero que não esqueçam do meu cantinho, assim como sinto falta dos seus!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Numa só.

Eu não consigo escrever sobre mim na primeira pessoa do singular. Sinto-me sempre na figura do observador, mesmo falando de mim mesma. Essa é a beleza da contradição.
Não há motivos, mas ela sempre amara muito observar, pegar os detalhes. E não seria diferente com ela mesma. E mesmo assim continuava sendo bastante crítica. Como conseguia se moldar a tantos tipos de lugares e pessoas diferentes só pra fazê-las bem? Nem ela mesma entendia. Se sentia as vezes até como uma boba, uma "boba da corte" fazendo de tudo para que seus amados se distraíssem.




E mesmo assim eu, eu e ela, não entendemos como gostava tanto de fazer isso, e nem como conseguia esconder algumas vezes como estava por dentro.