domingo, 8 de abril de 2012

Insípido

Incrivelmente cômico - para não dizer irônico - como essas coisas me ocorrem. Tenho em minhas mãos o mesmo bloco velho e desbotado em que registrei as primícias dos meus sentimentos relacionados ao que me fez vir aqui, folhas depois, expôr-me, transcrever-me, novamente.
Lindo como era concreto, poético, certo... Estranho como agora é triste e irresoluto. É espinhoso suportar até os meus próprios pensamentos. Vejo-me abstrata, escorregadia; os poucos que me fitam, franzem a testa sem compreender o que me ocorre, outros só correm os olhos. Tampouco importa-me isto. Importa-me permanecer assim, inerte. Importa-me não encontrar palavras nesse dicionário em branco.
Preocupa-me, ainda mais, por não afetar-me somente. Sendo só eu, somente só, choraria feliz. Mas não... Por que tenho de carregar outros na dor que me pertence? Ingrata que sou!
Detenho-me. Pouparei os dedos, o lápis, a folha. Espero que a próxima venha com sorrisos. Aproveitarei a vista.

2 comentários:

Anônimo disse...

Difícil carregar nas costas o peso de dores alheias, mais difícil ainda é deixar o tempo apenas passar nessas condições. Um dia a coragem chega, um dia terás algo a dizer, enfrentarás assim o silencio que perturba em alto e bom som. Enquanto se detêm poupando "árvores" e alguns calos, sorrisos automaticamente se apagaram, até que dê um suspiro, e este venha para aperfeiçoar ou quebrar tudo de vez.

Stéphanie disse...

Nem imagina o quanto gostaria de saber quem postou esse comentário!